segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Bazuca Anal

Que lindo dia, que dia lindo!

Peguei um ônibus vazio pela manhã, ele gastou menos tempo do que o normal tarde da noite por exempo. Não tive que esperar a barca, peguei logo depois de ter pago o ticket. Pois é, a sorte parecia me acompanhar nessa manhã nublada de segunda-feira. o problema é quando se PENSA que ela de fato acompanha. Fui andando da Praça XV(terminal hidroviário) para a primeira aula em outro campus diferente do que custumo assistir a maioria das aulas da faculdade. NÃO me perdi em nenhum momento, cheguei antes mesmo do horário e pá! O professor não foi! Descobri que a turma era de calouros e que talvez rolasse trote ¬¬'

Logo após entra um grupo que se auto-identifica como "veteranos" e falam que o professor é falcatrua até dizer chega e que se ele não estava ali até aquela hora não teria aula mesmo. Fui embora, e resolvi ir andando para o outro campus onde teria aula umas 3h depois. A sorte não gosta de quem anda. Começou uma chuvinha fininha.

Andei 1km, 2km e fui atingida por uma 'bazuca anal', além do susto, bem, acho que não preciso de maiores descrições de como é desagrável ser mira de tal coisa. Minutos depois resquícios de outra bazuca "respinga" em mim. Até mesmo os pombos do Rio de Janeiro estão bem munidos, com direito a perseguições e estratégias infalíveis. Um trauma social, devemos nos unir para uma mobilização protestando contra esse absurdo.

E lanço aqui uma campanha "Coletes a prova de 'bazuca' já!" com direito a passeata no domingo pela manhã na praia do Leblon. Levem suas roupas mais branquinhas para protestar contra esse absurdo que ameaça o ramo turistíco da cidade, a população em geral, aos bons costumes e até mesmo a constituição! Diga não a Bazuca anal! Campanha 2009. Maiores informações acesse o site http://www.bazucaanal.com.br


Rafaela Tavares Fontes

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ser


-Quem é vc?
-Quem sou eu!?
-Isso..
-Sou o que liberto e o que reprimo em mim mesma.



Rafaela Tavares Fontes
Foto: Allan A. Valeriano

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Outono


Outono! Onde o copo estar "metade vazio" faz sentido. Faz o maior sentido. Estação do ano onde tudo se perde.



Folhas...
Pessoas.
Vento.
Filmes.
Gargalhadas.
Objetos.
Sol.
Chaves.
Livros.
Sentimentos.
Praia.
Filhos.
Nuvens.
Amores.
Peças.
Idéias.
Vizinhos.
Rancores.
Pôr-do-Sol.
Lixo.
Conversas.
Flores.
Memórias.
Engarrafamentos.
Raizes.
Paisagens.
Ferramentas.
Confiança.
Poesia.
Sangue.
Liberdades.
Celulares.
Amigos.
Pensamentos.
Lua Cheia.
Vidas.
Fotografias.
Presentes.
Certezas.
Música.
Ondas.
Roupas.
Chuva.
Intrumentos.
Brinquedos.
Animais.
Lágrimas.
Dinheiro.
Saudades.
Calendários.
Milênios.
Séculos.
Décadas.
Anos.
Meses.
Semanas.
Dias.
Horas.
Minutos.
Segundos.
Milésimos... folhas!

Rafaela Tavares Fontes


terça-feira, 24 de março de 2009

Atropelamento

Estava escurecendo. Coitado! Estava ali ainda parado, sozinho em uma calçada movimentada. Estar na multidão e se sentir sozinho é horrível, não?! Ao lado havia um bar, com muitas mesas, cigarros, cervejas e pessoas com conversas empolgantes, pareciam felizes. Mas, ainda assim, não havia nada parecido nem familiar por perto. Eis que um ser aflito se aproxima, gesticulando abruptamente, com uma expressão preocupada e distraida, até que.... 

*PÁ* 


"Ai!"

Presenciei um carro estacionado ser atropelado!



Rafaela Tavares Fontes



segunda-feira, 16 de março de 2009

Um cheiro


O som do tráfego na rua, que aquela hora da noite fluía, 
compunham a trilha sonora de uma noite cinzenta. 
Não tinha visto a lua aquele dia. 
Senti um cheiro estranho

Espreitando toda musicalidade urbana, 
uma respiração suave se aproximava cada vez mais. 
Ah! Lembrei-me do cheiro.
Um toque caloroso, carinho que envolve, tranqüiliza, excita, vicia!

E quanto ao cheiro?
Era cheiro de poesia



Rafaela Tavares Fontes
Foto: Allan  A. Valeriano

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Jogos


“Os companheiros gostam muito do jornal, mas José Goldman faz críticas à seção de xadrez. Não gosta de jogos em geral, especialmente os de cartas, cheios de reis, rainhas, valetes – um vício burguês. Os reis, dizia, são seres gordos e estúpidos; comem frangos inteiros, arrotam, adormecem e roncam; as rainhas, perversas, colocam veneno no vinho dos inimigos. Quanto aos valetes, as intrigas palacianas ficam a cargo deles. As mesmas restrições José Goldman faz ao xadrez. José Goldman: baixinho, ruivo e míope. Muito nervoso; quando discute, treme, e sua voz se embarga de emoção. Mayer lhe garante que os russos gostam de xadrez; José Goldman fica chocado; mas acaba por admitir, a contragosto, uma seção de xadrez em “A Voz de Nova Birobidjan”.

No fundo, contudo, crê que um dia os peões avançarão, não de casa em casa, mas a passos de gigante, derrubando reis, rainhas e bispos, seus cavalos e suas torres. Os tribunais do povo funcionarão, os réus confessarão, cabeças rolarão. O tabuleiro será a República dos Peões. Não haverá mais casas brancas e pretas; as casas serão de uma cor só e propriedade comum – se dois peões quiserem estar na mesma casa, poderão; se três quiserem, poderão; se quatro quiserem, poderão; cinco, poderão; seis, sete, vinte, poderão. Haverá lugar para todos. Na República dos Peões haverá casas, fábricas, plantações e o Palácio da Cultura – construído na antiga casa do Rei. Mas isto, no futuro...”



[SCLIAR, Moacyr. O exército de um homem só. Porto Alegre, L&PM, 2007.]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ano Novo

As coisas não tinham saido como o planejado, afinal, alguém planeja ter uma infecção intestinal em uma viagem e ainda por cima no dia 31 de dezembro? O destino foi então a cidade mais próxima, papo de 1400 habitantes, contando os da área rural! Final da tarde da véspera do "ano novo" em uma cidade do interior do Tocantins. Cidade pequena, igreja, praça... 

Ah! A praça! Tinha algo diferente. Uma tenda. Na tenda uma TV. Na frente da TV fileiras e mais fileras de cadeiras. Ao redor das cadeiras espectadores aos montes. Diria, quase precisamente, que os 1396 habitantes da cidadezinha. 

Ali bem próximo da pousada e afastada da praça, gritos desesperados. Uma família, no meio de uma rua esburacada e mal iluminada. Um garotinho pequenino com uma chupeta na boca, no colo de sua mãe. Seu irmão, pequeno também, carregando um carrinho e de mãos dadas com mãe, chorando, chorando de uma forma agoniante. A mãe tentava se equilibrar e desviar as crianças de um cabo de vassoura ameaçador. O pai, alcoolizado, não permitia que sua família saisse. 

Enquanto isso, na praça os demais moradores se juntam para beber, namorar, confraternizar, e claro, esquecer os problemas vendo na TV os lindos fogos do Reveillon do Rio de Janeiro. 


Feliz 2009!

domingo, 30 de novembro de 2008

E por esses dias...

E por esses dias, nuvens.
E por esses dias, tempo nublado.
E por esses dias, um sol aqui e acolá tímido que só.
E por esses dias, muita chuva, muita chuva.
E por esses dias, noites sem dormir.
E por esses dias, escrever, ler, estudar.
E por esses dias, reclamar.
E por esses dias, planejar.
E por esses dias, cansaço, muito cansaço.
E por esses dias, olheiras mais profundas.
E por esses dias, ou aqueles que passaram ou estão por vir, serão apenas dias e nada mais.



Rafaela Tavares Fontes

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sentir

Sabe quando você sente que não gostaria de sentir nada, mas ao mesmo tempo gostaria de expressar todo os sentimentos para que "todo mundo" e "ninguém" ficasse sabendo...?!


Rafaela Tavares Fontes

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Previsão do tempo

A pouco mais de uma semana estava um sol, sabe aquele sol? Então esse sol. Pessoas correndo de um lado para o outro, pressa, suor, fumaça, tumulto, "vai uma água aí moça? água 2 real". Caminhei, segui com passos apressados, pois estava atrasada, mais uma vez. Pelo mesmo caminho, que me faz pensar quase sempre "porque meus olhos não tiram fotos?".

Família? Sim, uma grande família, seres humanos, sujeitos, indivíduos, cidadãos, [...] encontram-se ali, compondo a grande "paisagem urbana" no fim da tarde. Algum deles banhavam-se com pequenas vasilhas, outros cozinhavam em latas, dormiam, davam comida ao cachorro, conversavam, fumavam, namoravam, andavam de bicicleta, skate, comiam, liam...

A beira de uma rua bem movimentada, em um caminho para passagem de muitos e estadia de alguns. E isso tudo no centro de uma grande cidade, abaixo um estacionamento subterrâneo, acima um céu azul muito limpo, ao lado uma empresa de transporte, a minha vista e de quem mais quisesse ver. Quisesse sim, pois transeuntes passam aos montes, e discursos proclamam de que nunca presenciaram isso ou aquilo. "Sério? Isso aqui, nunca vi, sério mesmo? Passo aqui todos os dias...".


Rafaela Tavares Fontes