domingo, 30 de novembro de 2008

E por esses dias...

E por esses dias, nuvens.
E por esses dias, tempo nublado.
E por esses dias, um sol aqui e acolá tímido que só.
E por esses dias, muita chuva, muita chuva.
E por esses dias, noites sem dormir.
E por esses dias, escrever, ler, estudar.
E por esses dias, reclamar.
E por esses dias, planejar.
E por esses dias, cansaço, muito cansaço.
E por esses dias, olheiras mais profundas.
E por esses dias, ou aqueles que passaram ou estão por vir, serão apenas dias e nada mais.



Rafaela Tavares Fontes

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sentir

Sabe quando você sente que não gostaria de sentir nada, mas ao mesmo tempo gostaria de expressar todo os sentimentos para que "todo mundo" e "ninguém" ficasse sabendo...?!


Rafaela Tavares Fontes

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Previsão do tempo

A pouco mais de uma semana estava um sol, sabe aquele sol? Então esse sol. Pessoas correndo de um lado para o outro, pressa, suor, fumaça, tumulto, "vai uma água aí moça? água 2 real". Caminhei, segui com passos apressados, pois estava atrasada, mais uma vez. Pelo mesmo caminho, que me faz pensar quase sempre "porque meus olhos não tiram fotos?".

Família? Sim, uma grande família, seres humanos, sujeitos, indivíduos, cidadãos, [...] encontram-se ali, compondo a grande "paisagem urbana" no fim da tarde. Algum deles banhavam-se com pequenas vasilhas, outros cozinhavam em latas, dormiam, davam comida ao cachorro, conversavam, fumavam, namoravam, andavam de bicicleta, skate, comiam, liam...

A beira de uma rua bem movimentada, em um caminho para passagem de muitos e estadia de alguns. E isso tudo no centro de uma grande cidade, abaixo um estacionamento subterrâneo, acima um céu azul muito limpo, ao lado uma empresa de transporte, a minha vista e de quem mais quisesse ver. Quisesse sim, pois transeuntes passam aos montes, e discursos proclamam de que nunca presenciaram isso ou aquilo. "Sério? Isso aqui, nunca vi, sério mesmo? Passo aqui todos os dias...".


Rafaela Tavares Fontes

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Classe Média



Vídeo que fiz a partir da letra da música "Classe Média", do compositor brasileiro Max Gonzaga.

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no "jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vírus Planetário


Fonte: http://virusplanetario.wordpress.com/
PRIMEIRA EDIÇÃO (digital)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Galinha Cubana

Faz tempo desde a conversa com o meu amigo-primo, meu primo-amigo. E eis, um assunto que a muito não falávamos [...]

Eu estava a todo vapor com meu outro blog de notícias, e selecionando algumas freneticamente. Sabe quando você utiliza a boa e famosa ferramenta Ctrl + c, e acaba utilizando o Ctrl +v para um "destino" diferente do que você gostaria? Pois bem, isso me remete também aquela coisa de você estar com 93563945639465 janelas do MSN, e "Ops, mensagem errada". Quando não tem nada demais, beleza, mas, e quando tem? Mesmo depois de muito tempo, a coisa se repete, mas dessa vez de uma maneira "singular". Continuando o assunto que a muito não falávamos, ele me enviou um link. Era um álbum, quis mostrar uma foto específica do tal álbum, e eis que utilizo a ferramenta e PÁ! Ctrl + v " Galinha cubana põe 'maior ovo do mundo'".

- Que você achou ela com cara 'disso ou daquilo' tudo bem, mas galinha cubana foi demais.

*Risadas virtuais, ecoadas no mundo real*


Rafaela Tavares Fontes



sexta-feira, 25 de julho de 2008

Austrália...


Austrália! Sidney. O que ‘pensamos’ em relação a esse lugar se nunca tivéssemos ido lá antes? Cangurus? Deserto? Aborígenes? Deve ter lindas praias por lá. Eu me lembro do "Nemo". É de fato um país interessante, a meu ver, para conhecer um dia. Mas sempre temos que voltar para ‘casa’, certo? Avião. Todos que ali se encontram tem um motivo para sair daquele lugar. Pegar um avião com pessoas que não conhecemos que possuem cultura, língua, vidas diferentes e que se “tudo der certo” nunca teremos a oportunidade de conviver e conhecê-las, até que por algum motivo o avião que estamos sofre um acidente e cai em um misterioso lugar (soa clichê n?), as pessoas que antes nos pareciam estranhas são agora 'companheiros da sobrevivência' de 'uma possível' ilha no Pacífico...

... Fatos enigmáticos que ao longo dos meses que ali se encontram no acampamento, ainda não foram desvendados. Urso polar. Fumaça preta. Projeto Dharma. “The others”. Pesquisas. ‘Recrutamento’. Acidente do vôo 815 e a informação que todos estariam mortos. O que move o ‘poder da ilha’? O que são aquelas pessoas com perfis de “pecadores”? Penitências? Conceitos morais ocidentais jorrando “ética” para todos os lados além do óbvio. As mensagens subliminares de toda a série são o que há de mais interessante, assim como quase todas as mensagem subliminares (ou não tão subliminares assim). Todo o suspense confuso (e arrisco dizer até mesmo esquecido por novos ‘fatos’) que parece perturbar os personagens, os telespectadores e até mesmo a equipe idealizadora do mesmo. Que desfecho isso terá?

I know only one thing... I don’t want be LOST!”

Rafaela Tavares Fontes


terça-feira, 22 de julho de 2008

Definitivo

Beatriz dos Santos Tavares, mas conhecida como "vovó Bia"
74 anos.
3 filhas, 5 netos e 1 bisneto.


(17/02/1934 - 21/07/2008)

[...]


Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...



[Carlos Drummond de Andrade]

domingo, 13 de julho de 2008

Dois pontos

E para complementar, esse tbm será de uma blogueira que custumo visitar "Assuntos de Menina", e achei bem pertinente o poema que li dela com o último post. Então lá vai...

Dois Pontos

Tenho comigo gente
Gente em mim
Dentro de mim
Gente do lado e na frente

E fora de mim?
Como se faz com a gente?
Como se prende gente?
Como deixa a gente assim?

Tenho gente que ri
Tenho gente que vi
Tenho gente em mim
Tem gente por aí?
Gente que aprende
Ganha o mundo
E se desprende
Depois defaz tudo

Gente que nem é gente
E vira gente assim mesmo
Tem gente indo e vindo
Toda hora, o tempo inteiro

Tem gente que não aprende
Tem gente que nem surpreende
Tem gente que não entende
E "tem" gente injustamente

Gente vendendo balas
Gente transando na esquina
Desfazendo malas
Contando suas recompensas divinas

Gente nos conventos
Gente sendo carregada
Lendo seus lindos lamentos
E ainda assim fazendo nada

Gente entupindo os boeiros
Gente só de papo e nada demais
Falando o tempo inteiro
O que se repete em jornais

Quanta gente!
Mas no fim das contas
Toda essa gente em mim
E eu sigo sozinha, mesmo assim

Acho que não tem ninguém
Não deve ter Gente...
Sendo gente mesmo

Gente...
Ser assim parece complicado,
mas todos vão sendo...

E coisa e tal..

[Livia Queiroz]

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ecce homo

De um blogueiro, jornalista, que eu custumava acompanhar e que deu por encerrado seu blog por falta de tempo. Mas achei muito interessante um trecho de um futuro livro do mesmo, e pertinente para um belo post aqui..

Ecce homo

A humanidade é uma ave de asas partidas,
Que vaga no Universo rumo ao desconhecido,
Em busca de um sentido para a vida.
Tem o alucinado por guia.
Navega uma rocha movida pela soberba,
Pela arrogância e pela paixão.
O eu é, o ele não é.
Um louvor à imperfeição .
A humanidade é um espelho embaçado
Alimentado pelo desespero e pela incerteza.
Fome e ódio não permitem pensar no amanhã.
A natureza não cria indigentes.
O destino, uma profundidade insondável,
Uma porta da qual só você tem a chave.
Do destino, homem algum escapou.
Nada é definitivo, nem a morte.
Vontade de viver, vontade de poder,
Eis a verdadeira dimensão do homem
Para atingir o eterno e superar o infinito.
Maior que o infinito menor que o imenso.
Procure o intermediário entre o
Saber e o ignorar e terá
O invisível sustentando o visível,
A essência superando a existência.
Não há limite para o possível.
Saber questionar é viver,
Aceitar o dogma é anular-se.
Quem pode entender a razão humana?
O homem é algo que precisa ser superado.
Brutalidade e ganância movem o planeta.
O homem animal doméstico do homem.
O que é o homem?
Ele é aquele que troca a alma pelo lucro
Ignorando o que a história ensina.
Onde houver opressão haverá Revolução

Eis o Homem.

[Georges Bourdoukan]